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Quando os dias frios ficam para trás, muita gente percebe algumas mudanças no espelho: mais fios no ralo do chuveiro, cabelo com aparência enfraquecida e uma pele que parece perder o brilho.
A primeira reação costuma ser procurar um novo shampoo, máscara, sérum ou creme hidratante. Mas existe outro ponto que também merece atenção: o que está sendo colocado no prato todos os dias.
A alimentação influencia diversos processos do organismo e, quando a rotina passa a ser dominada por produtos ultraprocessados e alimentos pouco variados, alguns nutrientes importantes podem ficar de fora.
Durante os meses mais frios, é comum recorrer com mais frequência a refeições prontas, massas, alimentos industrializados e opções práticas. O problema aparece quando esse padrão se mantém por muito tempo e substitui alimentos mais nutritivos.
Segundo a médica e professora de pós-graduação em Endocrinologia Luísa Ortiz Cabrera, uma alimentação com excesso de produtos ultraprocessados pode dificultar o fornecimento adequado de nutrientes necessários para diferentes tecidos do organismo.
Por que a alimentação pode aparecer no cabelo e na pele?
O organismo precisa distribuir energia e nutrientes continuamente. Quando a alimentação não oferece variedade suficiente, as funções consideradas essenciais recebem prioridade.
Cabelo e pele, por outro lado, estão entre os tecidos que podem refletir mudanças na disponibilidade de nutrientes. Por isso, alterações na alimentação podem aparecer na aparência dos fios e da pele.
Além disso, uma rotina alimentar baseada em produtos com excesso de sódio, determinados tipos de gordura e ingredientes adicionados pode estar associada a processos inflamatórios no organismo.
Isso ajuda a explicar por que cuidar apenas da aparência externa nem sempre é suficiente.
Antes de trocar todos os produtos do banheiro, vale observar também a rotina alimentar.
Um hábito simples pode ajudar nessa avaliação: prestar atenção aos rótulos. Quanto mais extensa e difícil de reconhecer for a lista de ingredientes, maior é a necessidade de observar com que frequência aquele produto aparece na alimentação.
Isso não significa que todo alimento industrializado precise ser eliminado. A questão principal está na frequência e na proporção dentro da alimentação diária.
Outro ponto importante são as proteínas.
Elas fornecem aminoácidos necessários para a manutenção e renovação de diferentes estruturas do organismo. Por isso, incluir fontes variadas de proteínas de boa qualidade pode fazer parte de uma alimentação voltada para a manutenção dos cabelos e da pele.
Carnes, peixes, ovos, leite e derivados e leguminosas são alguns exemplos que podem entrar em uma alimentação equilibrada, de acordo com as necessidades individuais.
As chamadas gorduras boas também merecem espaço. Alimentos como peixes, castanhas, sementes e alguns óleos vegetais fornecem diferentes nutrientes que participam do funcionamento normal do organismo.
E não dá para esquecer algo muito básico: água.
A hidratação adequada contribui para o funcionamento do organismo e também pode ajudar a manter a aparência da pele. Trocar parte das bebidas açucaradas por água ao longo do dia é uma mudança simples que pode melhorar a qualidade geral da alimentação.
Mas existe um sinal que merece atenção especial.
Algumas alterações na pele não estão necessariamente relacionadas apenas ao ressecamento ou à passagem do inverno. Regiões mais escuras e com aspecto aveludado, especialmente em áreas de dobras como pescoço e axilas, podem estar associadas a alterações metabólicas, incluindo resistência à insulina.
Nesse caso, tentar resolver somente com produtos cosméticos pode não abordar a origem do problema. Quando essas mudanças aparecem ou persistem, uma avaliação profissional pode ajudar a entender o que está acontecendo.
Também é importante lembrar que queda de cabelo pode ter diversas causas. Alterações hormonais, estresse, condições de saúde, mudanças importantes na alimentação e deficiências nutricionais são apenas alguns fatores possíveis.
Por isso, uma queda persistente ou muito intensa não deve ser atribuída automaticamente à alimentação ou ao clima.
No fim, a mudança mais importante pode ser menos complicada do que parece: observar se a alimentação cotidiana realmente oferece variedade suficiente de proteínas, vegetais, frutas, cereais e outras fontes de nutrientes, enquanto os ultraprocessados permanecem como uma parte menor da rotina.
O cabelo e a pele podem refletir o que acontece no organismo, mas não funcionam como um diagnóstico isolado. Quando as alterações persistem, investigar a causa com um profissional de saúde é mais importante do que simplesmente tentar esconder os sinais com produtos.
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