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Planejar uma gestação envolve expectativas, dúvidas e, acima de tudo, cuidados com a saúde. A boa notícia é que não há motivo para pânico: o primeiro passo é agendar uma consulta e passar por uma avaliação individualizada. Tanto a mulher quanto o homem têm papéis importantes nesse planejamento, e cada caso deve ser avaliado de forma personalizada.
Exames recomendados antes da gestação
Os exames laboratoriais de rotina podem variar, mas os principais incluem:
Hemograma completo e tipagem sanguínea (com fator Rh)
Glicemia de jejum e perfil lipídico
Avaliação da função tireoidiana (TSH)
Sorologias para rubéola, toxoplasmose, sífilis, hepatites B e C, HIV e HTLV I/II
Exame de urina e urocultura
Rastreamento do câncer de colo do útero, conforme faixa etária e recomendações vigentes
O mais importante é que cada mulher tenha um plano individualizado, pois não existe uma lista única que sirva para todas.
Suplementação e vacinas essenciais
Entre os suplementos, o ácido fólico é o que tem maior evidência científica. A recomendação padrão é iniciar 400 microgramas de um a três meses antes da concepção e manter durante o primeiro trimestre da gestação. O ácido fólico reduz significativamente o risco de defeitos no tubo neural do bebê, como espinha bífida e anencefalia. Em casos de maior risco, a dose pode ser elevada para até 4 miligramas diários.
Vitamina D e ferro podem ser indicados em casos de deficiência comprovada. Outros suplementos, como ômega-3 e iodo, devem ser avaliados individualmente, sem recomendação universal para todas.
Em relação às vacinas, o calendário pré-concepcional prioritário inclui:
Tríplice viral (rubéola e sarampo): deve ser aplicada pelo menos um mês antes de tentar engravidar
Varicela (catapora): indicada para mulheres sem imunidade prévia, com o mesmo intervalo de segurança
Hepatite B: se o esquema vacinal não estiver completo
Influenza: pode ser aplicada antes ou durante a gestação
dTpa (difteria, tétano e coqueluche): recomendada a cada gestação
Covid-19: conforme recomendações atualizadas do programa nacional de imunizações
Hábitos: o que priorizar e o que evitar antes da gestação
Os hábitos de vida impactam diretamente a fertilidade e contribuem para uma gestação mais saudável. Entre as recomendações estão:
Alimentação equilibrada e variada, rica em folatos naturais (verduras verde-escuras, feijão, lentilha), proteínas de qualidade, frutas e grãos integrais
Atividade física regular de intensidade moderada
Sono de qualidade e manejo do estresse
Manutenção do peso adequado antes de engravidar
Acompanhamento odontológico
Por outro lado, é fundamental abandonar hábitos que aumentam os riscos:
Tabagismo: não existe quantidade segura de cigarro na gestação
Álcool: também não há dose segura; a exposição fetal pode causar distúrbios do neurodesenvolvimento
Drogas recreativas: associadas a graves complicações maternas e fetais
Uso indiscriminado de medicamentos e suplementos sem orientação médica: alguns podem ser teratogênicos
Exposição a substâncias tóxicas no trabalho ou em casa, como pesticidas e solventes
A cessação do tabagismo e do álcool deve acontecer antes da concepção, e não apenas após a confirmação da gravidez.
Mulheres com doenças crônicas ou autoimunes
Mulheres com diabetes, hipertensão, hipotireoidismo, lúpus, artrite reumatoide, doença inflamatória intestinal, epilepsia e outras condições podem ter gestações saudáveis, mas exigem planejamento mais cuidadoso e acompanhamento multidisciplinar.
O controle adequado da doença antes de engravidar é essencial, pois gestações iniciadas em fase ativa aumentam o risco de complicações. Também é importante revisar os medicamentos em uso, pois alguns podem ser contraindicados durante a gravidez e precisam ser substituídos com antecedência — mas nunca de forma abrupta.
Mulheres com obesidade também se beneficiam de avaliação pré-concepcional específica, já que o excesso de peso está associado a maior risco de diabetes gestacional, hipertensão, pré-eclâmpsia e outras complicações obstétricas. Durante a gestação, é indicado um monitoramento mais frequente, com possível necessidade de ultrassonografias seriadas.
"Trimestre zero": tendência ou ciência?
Conteúdos nas redes sociais têm abordado o chamado "trimestre zero" — período de 90 dias antes da concepção com dietas restritivas e rotinas intensas de treinos. A ideia de preparar o corpo tem embasamento biológico, mas é preciso cautela.
Dietas muito restritivas associadas a atividades físicas extenuantes podem levar à baixa disponibilidade energética, condição na qual a energia ingerida não é suficiente para as necessidades metabólicas básicas somadas ao gasto da atividade física. Em mulheres, isso pode causar alterações no ciclo menstrual, tornando-os mais espaçados ou até ausentes, o que reduz a taxa de sucesso da gestação a cada ciclo.
Mais suplemento não significa necessariamente mais fertilidade. O uso excessivo de vitaminas e antioxidantes sem indicação médica pode gerar custos desnecessários e, em alguns casos, efeitos adversos. Além disso, esse tipo de conteúdo pode sobrecarregar emocionalmente as mulheres, gerando ansiedade e expectativas irreais.
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